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Cirurgia para o ronco: o que os estudos de longo prazo realmente mostram

Logo depois da operação, o ronco costuma melhorar muito. O que os estudos de seguimento mostram é o que sobra depois de um ou dois anos, e o que a recuperação custa.

Por Jan Kohlhaas · 10 min de leitura · Atualizado em 20/10/2026 · Informação geral de bem-estar, não um diagnóstico médico

A resposta curta

A cirurgia para o ronco costuma reduzir o barulho logo no começo, mas o efeito perde força com o tempo. Em 69 pacientes de uvulopalatofaringoplastia, o ronco foi muito reduzido ou eliminado em 87% no início e em 46% depois de 13 meses. Em 271 pacientes, o sucesso foi de 76% logo após a operação e 45% depois de dois anos, com dor média de 7,5 em 10 e 61% dizendo que não repetiriam a cirurgia. Uma revisão sistemática encontrou poucos estudos comparativos e efeitos colaterais persistentes em cerca de metade dos operados, sobretudo dificuldade para engolir. O laser Er:YAG, que não é cirurgia, reduziu o ronco em estudos pequenos, com acompanhamento curto. Antes de qualquer procedimento, é preciso descartar apneia com um exame do sono, e a decisão cabe ao médico.

O folheto da clínica diz uma coisa e o seguimento de dois anos diz outra. Logo depois da operação, o ronco quase sempre melhora. O que sobra um ou dois anos mais tarde é a parte que raramente aparece no consultório. Quem chega à ideia de uma cirurgia para acabar com o ronco já passou por uma fase de tentativas: dormiu de lado, cortou a bebida da noite, tratou o nariz, e o parceiro continua indo dormir na sala. A pergunta passa a ser se existe cirurgia para ronco e se ela funciona. Funciona, no sentido de que o barulho cai. E dura menos do que o folheto sugere.

Cirurgia para o ronco: o que os estudos de longo prazo mostram

O procedimento mais estudado é a uvulopalatofaringoplastia (UPPP), que remove tecido do palato mole, da úvula e, em geral, das amígdalas, para alargar a passagem de ar atrás da língua. Em um estudo retrospectivo com 69 pacientes com ronco habitual intenso, o ronco foi muito reduzido ou eliminado em 60 deles (87%) no início. Treze meses depois, a taxa de sucesso era de 46% (32 de 69). A maior parte das falhas apareceu entre seis e doze meses, e depois disso a taxa se manteve relativamente estável. Os autores concluem que o aconselhamento antes da cirurgia precisa refletir essa queda.

Levin BC, Becker GD. Uvulopalatopharyngoplasty for snoring: long-term results. Laryngoscope 1994. PMID 8072364

Um levantamento maior chegou a resultado parecido. Foram enviados questionários a 271 pacientes operados ao longo de dois anos, e 74% responderam. Considerando melhora de 50% ou mais no ronco, o sucesso foi de 76% logo após a cirurgia e de 45% depois de dois anos. Álcool e cigarro não influenciaram o resultado. Na dor pós-operatória, a média foi de 7,5 numa escala de 1 a 10. A satisfação média foi 5, e 61% disseram que não fariam a operação de novo.

Hicklin LA, Tostevin P, Dasan S. Retrospective survey of long-term results and patient satisfaction with uvulopalatopharyngoplasty for snoring. J Laryngol Otol 2000. PMID 11091829

Sucesso da UPPP para ronco: no início e depois de um tempoLevin: no início87%Levin: após 13 meses46%Hicklin: logo após76%Hicklin: após 2 anos45%
Esquema próprio com os percentuais de dois estudos de seguimento (Levin e Becker, 69 pacientes; Hicklin e colegas, 271 pacientes). Os critérios de sucesso diferem entre os estudos (ronco reduzido ou eliminado; melhora de 50% ou mais), por isso os valores só se comparam dentro de cada estudo.

Existe cirurgia para ronco? Os tipos e o que cada um mediu

Existe, e há mais de um tipo. O que se sabe de cada um:

  • UPPP e variações. Remove ou remodela tecido do palato e da faringe. É o mais estudado e o que mostra a queda de resultado descrita acima.
  • Palatoplastia assistida por laser e radiofrequência no palato. Procedimentos menores, em geral feitos em consultório. Em 29 pacientes tratados com radiofrequência no palato mole e acompanhados por 3 a 4 anos, o ronco diminuiu logo no início e o sono melhorou aos 6 meses, mas depois de 3 a 4 anos só 25% estavam satisfeitos, e outros 25% tinham feito tratamento adicional.
  • Cirurgia nasal. Faz sentido quando há obstrução que incomoda, mas o efeito sobre o ronco em si é inconsistente nos estudos. Cirurgia de desvio de septo melhora o ronco? A resposta é matizada, e está em ronco pelo nariz.
  • Revisão recente de cirurgias de palato e faringe. Uma revisão sistemática de 2025, com 43 estudos e 2.713 pacientes, mostrou queda média da nota de ronco numa escala visual de 7,29 para 3,50. Nos estudos em que as amígdalas também foram retiradas, a melhora foi maior (queda de 5,17 contra 4,49). Os autores ressaltam que os estudos tinham poucas medidas objetivas e protocolos muito variados.

Hultcrantz E, Harder L, Loord H, Käll LG, Ydreborg K, Wallberg S, Svanborg E. Long-term effects of radiofrequency ablation of the soft palate on snoring. Eur Arch Otorhinolaryngol 2010. PMID 19373484

Cammaroto G, Caccamo G, Rodella T, Angeletti D, Boscolo Nata F, Topazio D, Cerritelli L. Soft Palate and Pharyngeal Surgery for the Treatment of Snoring: A Systematic Review. J Clin Med 2025. PMID 40725657

O que o folheto da clínica costuma omitir

Uma revisão sistemática publicada na revista Sleep reuniu os estudos de cirurgia para ronco e apneia que comparavam a operação com simulação ou tratamento conservador. Foram só quatro estudos de benefício e 45 de efeitos adversos. Para a palatoplastia assistida por laser e a radiofrequência, não houve efeito significativo sobre sonolência diurna e qualidade de vida, e o efeito no ronco foi inconsistente (reduzido em um estudo e não em outro, para o laser; reduzido na escala subjetiva em um estudo, para a radiofrequência). Já os efeitos colaterais persistentes da UPPP e da palatoplastia apareceram em cerca de metade dos pacientes, e os mais comuns foram dificuldade para engolir, sensação de bolo na garganta e mudança da voz.

Franklin KA, Anttila H, Axelsson S, Gislason T, Maasilta P, Myhre KI, Rehnqvist N. Effects and side-effects of surgery for snoring and obstructive sleep apnea--a systematic review. Sleep 2009. PMID 19189776

Isso não é razão para descartar qualquer cirurgia, e sim para pesar. Quando existe uma obstrução anatômica clara, como amígdalas muito grandes, a conversa com o cirurgião pode fazer sentido. Mas a expectativa de «acabar com o ronco» para sempre com uma operação não é o que os estudos de seguimento mostram.

Laser fotona e ronco: o que se sabe do Er:YAG

O laser fotona para ronco é, em geral, o protocolo NightLase, que usa laser Er:YAG de 2940 nm e é comercializado pela Fotona (informação que vem de materiais da fabricante e de clínicas, não de estudos independentes). Não é cirurgia no sentido de cortar tecido: segundo a fabricante, o laser aquece o tecido do palato em poucas sessões, e na meta-análise citada abaixo os pacientes toleraram o procedimento sem anestesia.

A evidência é de pequeno e médio porte. Um ensaio clínico randomizado com 40 pacientes com ronco primário comparou o tratamento com um tratamento simulado: a nota de ronco numa escala visual caiu de 7,9 para 4,7 no grupo tratado e ficou em 8,1 para 8,0 no grupo simulado, sem complicações. Uma meta-análise de sete estudos, com 247 participantes, encontrou queda média de 6,89 pontos na escala visual de ronco e satisfação de 80%, mas nenhuma mudança significativa no índice de apneia, com acompanhamento de 3 a 36 meses, e os autores pedem estudos randomizados maiores. Uma revisão de 2025 com 56 estudos descreveu efeito típico de 12 a 24 meses, com 25% a 40% dos pacientes precisando de sessões de manutenção, e classificou a evidência de longo prazo como de qualidade baixa a muito baixa.

Picavet VA, Dellian M, Gehrking E, Sauter A, Hasselbacher K. Treatment of snoring using a non-invasive Er:YAG laser with SMOOTH mode (NightLase): a randomized controlled trial. Eur Arch Otorhinolaryngol 2023. PMID 35867153

Neruntarat C, Khuancharee K, Shoowit P. Er:YAG laser for snoring: a systemic review and meta-analysis. Lasers Med Sci 2020. PMID 32112250

Dembicka-Mączka D, Gryka-Deszczyńska M, Sitkiewicz J, Makara A, Fiegler-Rudol J, Wiench R. Effectiveness of the Er:YAG Laser in Snoring Treatment Based on Systematic Review and Meta-Analysis Results. J Clin Med 2025. PMID 40566115

Apneia do sono tem cirurgia? E quanto custa?

Para apneia, a resposta é sim, existem cirurgias, e a decisão é bem mais complexa do que no ronco simples: depende da gravidade, da anatomia e do que já foi tentado, e é tomada por um médico do sono junto com o cirurgião. Ninguém deve operar para silenciar o ronco sem antes saber se existe apneia, porque o alvo do tratamento muda. O artigo qual médico trata ronco mostra o caminho do exame.

Quanto custa? Quem quer um número não vai encontrar um honesto aqui: o preço varia muito por procedimento, por clínica e por região, e também por haver ou não cobertura do plano. Por isso não coloco nenhum aqui. O que se pode fazer é pedir orçamento por escrito e perguntar, além do preço, o que é incluído, qual a taxa de sucesso daquele cirurgião no longo prazo e quais são os efeitos colaterais que ele considera mais comuns.

Antes e depois: meça a sua noite

Quase todos os estudos acima medem o resultado por notas subjetivas, e poucos medem o ronco de forma objetiva. Você pode fazer a sua própria comparação. O SleepTrace grava e analisa a noite no próprio celular e mostra o tempo de ronco, a intensidade e os possíveis silêncios com horário. Grave uma semana antes da consulta, e de novo dois ou três meses depois da cirurgia, com o celular no mesmo lugar e na mesma altura. Um estudo com 15 operados do nariz usou exatamente essa lógica, gravando antes e dois meses depois. A comparação não é um exame, e o aplicativo não é um dispositivo médico, mas transforma a impressão do parceiro em dados.

Antes de qualquer cirurgia para ronco, converse com um médico sobre exame do sono para descartar apneia, sobretudo se há pausas na respiração, sono forte de dia, pressão alta ou ronco muito alto. Este texto descreve o que estudos mediram, não indica nem desaconselha procedimentos. A decisão é do médico que examina você.

Se o que você procura é um ponto de partida sem cirurgia, como diminuir o ronco reúne o que foi medido em hábitos, e ronco tem cura mostra a escada completa. Como curar o ronco? O ronco tem solução? Para muita gente, a resposta é um conjunto de medidas, não uma cirurgia única.

Perguntas frequentes

Existem várias cirurgias, mas os estudos de seguimento não mostram resolução definitiva para a maioria. Em 69 pacientes de UPPP, o ronco foi muito reduzido ou eliminado em 87% no início e em 46% depois de 13 meses. Em 271 pacientes, o sucesso caiu de 76% para 45% em dois anos. A decisão depende de uma avaliação médica.

Em um levantamento com 271 pacientes de UPPP, a média de dor pós-operatória foi de 7,5 numa escala de 1 a 10. Procedimentos menores, como radiofrequência e laser, costumam ser mais leves, mas também têm limites de eficácia: em 29 pacientes tratados com radiofrequência, só 25% estavam satisfeitos depois de 3 a 4 anos.

Pode melhorar a respiração pelo nariz, e em alguns estudos o ronco melhorou em escalas subjetivas ou em gravações. Em 40 homens operados por obstrução nasal estrutural, porém, a polissonografia não mostrou mudança no tempo nem na intensidade do ronco. O efeito varia de pessoa para pessoa.

Em estudos de pequeno e médio porte, o laser Er:YAG reduziu a nota de ronco em escalas visuais. Um ensaio randomizado com 40 pacientes mostrou queda de 7,9 para 4,7 contra 8,1 para 8,0 no grupo simulado. O acompanhamento é curto e a evidência de longo prazo é de qualidade baixa a muito baixa.

Existem cirurgias para apneia, mas a indicação é complexa e individual. Depende da gravidade, da anatomia e do que já foi tentado, e é decidida por um médico do sono com o cirurgião. Antes de operar o ronco, um exame do sono deve descartar a apneia.

SleepTrace é um app de bem-estar, não um produto médico. Este artigo é informação geral, não aconselhamento médico. Se os seus sintomas são frequentes, intensos ou preocupantes, procure um médico.


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