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Máscara para apneia do sono e placa: o que as diretrizes dizem

A melhor máscara é a que se usa a noite inteira, e é aí que o CPAP tropeça. Veja o que os estudos medem sobre tipo de máscara, vazamento e adesão, e onde a placa do dentista entra.

Por Jan Kohlhaas · 11 min de leitura · Atualizado em 02/11/2026 · Informação geral de bem-estar, não um diagnóstico médico

A resposta curta

O CPAP reduz mais a apneia do que a placa nas revisões de ensaios, mas a adesão é o gargalo: numa revisão de 82 estudos, 34,1% das pessoas não usavam o aparelho o suficiente, sem melhora em 20 anos. Em um ensaio cruzado com 48 pacientes, a adesão foi parecida com máscara nasal, nasal com queixeira e oronasal, mas a apneia residual foi menor com a nasal (4,0 contra 7,1 eventos por hora com a oronasal). Vazamento foi o efeito colateral mais frequente (75,4% numa coorte de 1.484 pacientes), e boca seca se associou à não adesão. A placa de avanço mandibular, feita sob medida por dentista habilitado, é indicada pela diretriz de 2015 para quem não tolera o CPAP ou prefere outra opção, mas reduz menos a apneia que o CPAP. Preço varia com modelo e loja e não é discutido aqui.

Uma máscara de CPAP que fica na gaveta não trata nada. Numa revisão sistemática de 82 estudos publicados entre 1994 e 2015, a não adesão ao CPAP (taxa calculada com base em 7 horas de sono por noite) foi de 34,1% e não melhorou ao longo de 20 anos, apesar dos esforços de aconselhamento comportamental. Os autores dizem que esse número põe em questão a ideia do CPAP como padrão ouro. É por esse número que a conversa sobre máscara e placa começa: a adesão decide mais do que a potência do aparelho.

Rotenberg BW, Murariu D, Pang KP. Trends in CPAP adherence over twenty years of data collection: a flattened curve. J Otolaryngol Head Neck Surg 2016. PMID 27542595

Máscara para apneia do sono: o que ela faz e quando as diretrizes indicam

A máscara é só a interface do CPAP, o aparelho que mantém as vias aéreas abertas com um fluxo de ar com pressão. Quem procura uma máscara para ronco e apneia precisa começar pelo exame: o CPAP é indicado para a apneia obstrutiva confirmada, e o ronco sem apneia tem outros caminhos, tratados mais adiante. A diretriz americana de 2019 sobre pressão positiva em adultos com apneia obstrutiva recomenda com força o uso de PAP, em comparação com nenhum tratamento, em quem tem sonolência excessiva, e sugere (com menos certeza) também em quem tem qualidade de vida prejudicada ou hipertensão. Recomenda ainda que, ao começar, seja dada educação ao paciente (recomendação forte) e que haja intervenções comportamentais e de ajuste durante o período inicial (sugestão).

Há dois pontos de boa prática que valem para quem pensa em comprar por conta própria. O tratamento com PAP deve partir de um diagnóstico de apneia feito com teste objetivo, e o acompanhamento inclui revisão dos dados de uso e eficácia para ajustar o tratamento. Ou seja: máscara sem exame e sem seguimento está fora do que a diretriz considera tratamento adequado. O guia sobre como saber se tem apneia do sono descreve os passos até o exame.

Patil SP, Ayappa IA, Caples SM, Kimoff RJ, Patel SR, Harrod CG. Treatment of Adult Obstructive Sleep Apnea with Positive Airway Pressure: An American Academy of Sleep Medicine Clinical Practice Guideline. J Clin Sleep Med 2019. PMID 30736887

Nasal, oronasal ou com queixeira: o que um ensaio comparou

A pergunta que quase todo mundo faz, qual tipo de máscara é melhor, tem um ensaio útil, ainda que pequeno. Numa unidade de distúrbios do sono de um hospital, 48 pacientes com apneia moderada a grave recém-diagnosticada foram sorteados para testar, em ordem aleatória e por 4 semanas cada, três interfaces: máscara nasal, máscara nasal mais queixeira e máscara oronasal. Trinta e cinco completaram o estudo. A adesão não diferiu de forma significativa. A apneia residual foi maior com a oronasal (7,1 eventos por hora) do que com a nasal (4,0) e com a nasal mais queixeira (4,2). Satisfação e qualidade do sono foram maiores com a nasal e a nasal com queixeira, e houve menos problemas de vazamento e de ajuste com a nasal. Os autores concluem que uma máscara nasal, com ou sem queixeira, deve ser a primeira escolha.

Duas ressalvas. É um estudo de um único centro, com poucos participantes e apenas apneia moderada a grave, então não vale para todo mundo. O estudo não separou quem respira pela boca ou tem o nariz entupido, que podem ter uma história diferente; o texto sobre dormir de boca aberta mostra por que a boca pesa na equação.

Rowland S, Aiyappan V, Hennessy C, Catcheside P, Chai-Coezter CL, McEvoy RD, Antic NA. Comparing the Efficacy, Mask Leak, Patient Adherence, and Patient Preference of Three Different CPAP Interfaces to Treat Moderate-Severe Obstructive Sleep Apnea. J Clin Sleep Med 2018. PMID 29198305

Apneia residual por tipo de máscara (eventos por hora)Nasal4 /hNasal com queixeira4,2 /hOronasal7,1 /h
Gráfico próprio com os números do ensaio cruzado de Rowland 2018 (48 sorteados, 35 completaram). Cada barra é o índice de apneia e hipopneia que sobrou com o CPAP em uso, depois de 4 semanas com cada máscara; menos é melhor. A adesão (horas de uso) não diferiu entre as três.

Vazamento, boca seca e outros efeitos colaterais

Uma coorte de vida real, a InterfaceVent, avaliou 1.484 pessoas que usavam CPAP havia pelo menos 3 meses, com acesso livre a 34 modelos de máscara. O vazamento foi o efeito colateral mais relatado: 75,4% dos que responderam citaram vazamentos. A não adesão ficou em 8,6% pelo critério do estudo. Boca seca se associou à não adesão, e vazamentos relatados e máscara barulhenta se associaram à sonolência residual. Um achado prático: o vazamento que o paciente sente não era previsto pelo vazamento que o aparelho registra, e os autores propõem acrescentar um questionário de efeitos colaterais à leitura dos dados do aparelho.

Vazamento, ruído e boca seca, que o estudo associou a pior uso e a sonolência, valem ser levados à equipe que acompanha o tratamento nas primeiras semanas, quando o ajuste ainda é possível, em vez de abandonar o aparelho em silêncio.

Rotty MC, Suehs CM, Mallet JP, Martinez C, Borel JC, Rabec C, Bertelli F, Bourdin A, Molinari N, Jaffuel D. Mask side-effects in long-term CPAP-patients impact adherence and sleepiness: the InterfaceVent real-life study. Respir Res 2021. PMID 33451313

Preço e compra: o que pesa mais que a etiqueta

O preço de uma máscara varia com o modelo, a loja e a época, e por isso não aparece aqui. Mais caro que a etiqueta é o que acontece se a máscara comprada não servir para o rosto. Antes de comprar, vale confirmar o diagnóstico, perguntar à equipe como será o período de ajuste e quem faz o acompanhamento dos dados de uso.

Placa para apneia do sono: o que o dentista faz e para quem serve

A placa é o aparelho de avanço mandibular, que mantém a mandíbula um pouco para a frente durante o sono. A diretriz de 2015 das academias americanas de medicina do sono e de medicina dentária do sono recomenda que o médico do sono considere o aparelho oral, em vez de nenhum tratamento, para adultos com apneia obstrutiva que não toleram o CPAP ou preferem outra opção. Para apneia, sugere que um dentista habilitado faça um aparelho sob medida e ajustável, em vez de modelos prontos; que o dentista acompanhe o paciente para vigiar efeitos nos dentes e na mordida; e que o médico faça um novo teste do sono para confirmar o efeito. A diretriz também recomenda aparelhos para ronco sem apneia, a pedido do paciente. O artigo aparelho para ronco detalha o caso do ronco sem apneia, e o texto sobre qual médico trata ronco explica a divisão de papéis entre médico e dentista.

Ramar K, Dort LC, Katz SG, Lettieri CJ, Harrod CG, Thomas SM, Chervin RD. Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Snoring with Oral Appliance Therapy: An Update for 2015. J Clin Sleep Med 2015. PMID 26094920

Em eficácia, o CPAP vence na redução do número de apneias. Uma meta-análise de 14 ensaios randomizados (249 pessoas com CPAP e 247 com aparelho de avanço) achou que o CPAP reduziu mais o índice de apneia e hipopneia (diferença média ponderada de menos 7,08 eventos por hora) e que não houve diferença significativa na sonolência pela escala de Epworth. Uma revisão de revisões de 2026, com 14 revisões sistemáticas, chegou ao mesmo ponto: o CPAP é mais eficaz para o índice de apneia e a oxigenação; a sonolência diurna é parecida; e algumas revisões relataram melhor adesão e melhor qualidade de vida com o aparelho oral. Nenhuma das revisões incluídas foi classificada como de alta qualidade, e os autores pedem escolha individualizada.

Li P, Ning XH, Lin H, Zhang N, Gao YF, Ping F. Continuous positive airway pressure versus mandibular advancement device in the treatment of obstructive sleep apnea: a systematic review and meta-analysis. Sleep Med 2020. PMID 32534403

do Nascimento MCP, de Carvalho ALV, de Oliveira Lima Batista JF, da Silva SS, do Egito Vasconcelos BC, Moraes SLD, Pellizzer EP, Heimer MV. Comparative effects of CPAP and mandibular advancement devices in obstructive sleep apnea: an overview of systematic reviews. Sleep Breath 2026. PMID 42625095

Como pesar as duas opções sem fingir que há uma resposta única

Nas revisões de ensaios, o CPAP é o que mais reduz o índice de apneia. Se ele não é tolerado, a placa é o caminho indicado pela diretriz. Em qualquer dos casos, o que muda a qualidade do tratamento é o acompanhamento. Os números de adesão do CPAP e os de eficácia da placa dependem de alguém olhar os dados, ajustar e testar de novo. Três perguntas ajudam a organizar a conversa com o médico:

  • Qual é a gravidade da minha apneia no exame, e o que isso muda na escolha?
  • Se eu não me adaptar à máscara em algumas semanas, qual é o plano B e quem me acompanha?
  • Há algo na minha boca, no meu nariz ou na posição em que durmo que torne uma opção mais fácil que a outra?

Procure um médico antes de comprar qualquer aparelho se você ronca alto, tem pausas na respiração observadas, sonolência forte de dia ou dor de cabeça ao acordar. Sono súbito ao dirigir é motivo para consulta imediata. Falta de ar intensa ou dor no peito são caso de emergência (SAMU, 192). Aparelho nenhum se escolhe sem exame antes.

O SleepTrace só ouve o som: guarda clipes curtos quando reconhece ronco, fala ou tosse (no plano gratuito, 3 clipes por mês podem ser reproduzidos) e mostra um Indicador de apneia do sono que é só uma triagem. O app precisa ficar aberto durante a noite, com o celular no carregador. Ele não faz diagnóstico, não substitui o exame do sono e não acompanha o tratamento: quem faz isso é o médico, com os dados do próprio aparelho. Para quem ainda está antes do diagnóstico, os clipes de ronco são um material que se pode levar à consulta.

Perguntas frequentes

Num ensaio cruzado com 48 pacientes, a adesão foi parecida com máscara nasal, nasal com queixeira e oronasal, mas a apneia residual foi menor e a satisfação maior com a nasal. Os autores sugerem a nasal, com ou sem queixeira, como primeira escolha. Vale para um grupo pequeno com apneia moderada a grave, então a decisão é da equipe que acompanha.

A interface do CPAP é a mesma: o aparelho é indicado para apneia obstrutiva do sono. Para ronco sem apneia existem outros caminhos, como o aparelho oral, e a escolha depende do diagnóstico.

Numa revisão de 82 estudos, 34,1% não usavam o aparelho o suficiente, sem melhora em 20 anos. Numa coorte de 1.484 pessoas, o vazamento foi o efeito colateral mais relatado (75,4%), e boca seca se associou à não adesão. Relatar o problema à equipe nas primeiras semanas dá chance de ajuste.

Não em eficácia. Numa meta-análise de 14 ensaios, o CPAP reduziu mais o índice de apneia e hipopneia do que o aparelho de avanço, com sonolência parecida. A diretriz de 2015 indica o aparelho oral para quem não tolera o CPAP ou prefere outra opção, feito sob medida por dentista habilitado.

A diretriz americana trata o diagnóstico por teste objetivo e o acompanhamento dos dados de uso como pontos de boa prática do tratamento com pressão positiva. O que cada loja vende e exige é outra pergunta, e o texto não indica produto. Antes de qualquer compra, consulte um médico.

SleepTrace é um app de bem-estar, não um produto médico. Este artigo é informação geral, não aconselhamento médico. Se os seus sintomas são frequentes, intensos ou preocupantes, procure um médico.


A adesão ao CPAP é o gargalo, e vazamento e boca seca fazem muita gente desistir. O SleepTrace ouve o som da noite, marca ronco e possíveis pausas respiratórias com horário e permite comparar as noites com e sem a máscara. Ele não mede pressão, vazamento nem oxigênio e não substitui o relatório do aparelho ou a avaliação médica.

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